Neurologia clínica – CRM 61.708

 A chegada da terceira idade em condições de independência funcional, financeira e com o mínimo de problemas de saúde é o desejo de todos. Infelizmente paga-se um preço caro neste momento da involução da vida e são vários os fatores de risco que rondam o idoso. Neste contexto o risco de quedas nesta faixa etária constitui um importante fator de agravo em sua saúde com repercussões intensas em sua qualidade de vida, custos financeiros e possibilidade de isolamento social.  Geralmente quando o idoso cai não é por uma fatalidade como a maioria dos familiares e até mesmo a comunidade médica acredita e sim por uma somatória de fatores que serão analisados a seguir. Estudando e compreendendo os fatores de risco que levam as quedas, pode-se muitas vezes preveni-las com atitudes simples, orientações e conscientização dos idosos e profissionais. Envolvidos na prevenção e tratamento poderão assegurar uma longevidade com melhor qualidade de vida.       

 

INTRODUÇÃO

 

Nos EUA as quedas lideram as causas acidentais de morte entre as pessoas com mais de 75 anos e são a segunda causa de morte entre as com idade entre 45 e 74 anos. Em 2007, quase 23 mil americanos morreram em consequência de quedas. Destes, 19 mil tinham 60 anos ou mais.  Os idosos apresentam extrema vulnerabilidade a mortes por quedas acidentais. É, juntamente com as doenças degenerativas, uma das principais causas de morte de nossos idosos.

Quanto mais o número de idosos aumenta, mais aumenta a freqüência de quedas. Dentro deste contexto, com o constante crescimento da população de idosos, vê-se a necessidade de adequado conhecimento sobre os problemas que o atingem. Além dos problemas médicos, as quedas apresentam custo social, econômico e psicológico enormes, aumentando a dependência e a institucionalização. Idosos que foram acometidos de lesões decorrentes de quedas e outros que tem medo de cair podem, muitas vezes, se isolar e se afastar da comunidade.

Qualquer programa abrangente de prevenção das quedas precisará reconhecer e apoiar oportunidades para que os idosos participem integralmente da sociedade.

Como em tantas atividades, os pobres morrem mais nas quedas, assim como os idosos com baixo grau de instrução. Não obstante, o grande determinante do risco de morrer em uma queda é a idade.

É necessária a adoção de medidas preventivas para se evitar a queda de pacientes idosos na comunidade. Serão descritos alguns aspectos do envelhecimento, as principais lesões e conseqüências ocasionadas por estas quedas, verificando suas principais causas e avaliar medidas preventivas.

A metodologia usada foi uma extensa revisão bibliográfica. Foram pesquisados livros relacionados ao tema e buscas na internet.  Com base neste conhecimento avaliar medidas que possam contribuir para capacitação dos profissionais e cuidadores assim como tornar as instalações físicas hospitalares adequadas ao uso pelo idoso.

 

 Envelhecimento e Quedas um grave problema de saúde pública.

 

Por algum motivo, talvez por causa do ardente desejo humano de juventude vitalícia e imortalidade, há relutância em aceitar o envelhecimento e a involução como fases normais e inevitáveis da vida. Vários cientistas e médicos acreditam que todas as alterações na senilidade são efeitos cumulativos de lesões e doenças.

A crença comum de que a ciência médica prolongou muito a vida é errônea, decorrendo da incapacidade de diferenciar duração da vida de expectativa de vida. Duração da vida é o período médio de vida de pessoas que conseguiram evitar ou sobreviver a todas as doenças e acidentes, isto é que “tem morte natural”. A duração da vida é biologicamente fixa e assim tem sido por milênios.  Na maioria das pessoas o relógio pára por volta do octogésimo quinto ano e parece fazer pouca diferença se o indivíduo habita um luxuoso apartamento urbano ou uma cabana primitiva. Apenas um pequeno percentual de indivíduos sobrevive além dos oitenta e cinco anos. (1)

Expectativa de vida refere-se ao número de anos de vida que um indivíduo pode esperar estatisticamente a partir do seu nascimento, e está sujeita às influencias do meio em que este vive enquanto a duração da vida é espécie- específica, determinada geneticamente e é mais ou menos fixa.  A expectativa de vida aumentou muito no último século. Basicamente isto decorreu da eliminação de doenças infecciosas fatais no primeiro ano de vida e na infância, possibilitando que um número cada vez maior de pessoas atingisse a vida adulta. (1)

A organização mundial de saúde considera o indivíduo idoso a partir de 65 anos de idade em países desenvolvidos e 60 anos em países em desenvolvimento. Quedas em pessoas idosas são consideradas como consequência inevitável do envelhecimento. O envelhecimento conduz a perda progressiva da eficiência dos órgãos e tecidos do organismo humano, em diferentes graus de declínio.

O peso do cérebro diminui significativamente com o envelhecimento, apresentando em média redução de 5% aos 70 anos e cerca de 20% aos 90 anos de idade. Segundo Brody (1995), (apud PAPALÉO NETTO, 2006), a quantidade de neurônios, que é de aproximadamente 100 bilhões, sofre diminuição de 50 mil a 100 mil por dia, sendo esta perda maior no córtex do que no hipotálamo, ponte e medula (PAPALÉO NETTO, 2006).

Dentre outras perdas podemos citar a perda da força muscular e do equilíbrio. A perda de força muscular ocorre, principalmente, ao declínio de massa muscular. A análise dos fatores que provocam quedas, todavia, indica que há estratégias para prevenção. Mais de um terço das pessoas com idade de 65 anos ou superior sofrem quedas a cada ano.

De 5% a 10% das quedas em pessoas idosas resultam em lesões graves, incluindo hematomas subdurais e lesões cerebrais traumáticas. Embora constituam cerca de 12% da população total, as pessoas com mais de 65 anos contribuem para 74% de todas as mortes causadas por quedas.

Na faixa etária entre 75 a 84 anos o índice cresce para 35%. Acima dos 85 anos, 51% dos idosos caem ao menos uma vez em 12 meses. As quedas e suas conseqüências para as pessoas idosas no Brasil têm assumido dimensão de epidemia, segundo anúncio do Ministério da Saúde.

Evitar a queda é considerado uma conduta de boa prática geriátrico-gerontológica, tanto em casa, quanto em hospitais ou em instituições de longa permanência, sendo, para estes dois últimos um dos indicadores de qualidade no atendimento prestado a idosos. Além disso, evitar que o idoso caia constitui-se numa política pública indispensável, não só porque o evento afeta de maneira desastrosa a vida dos idosos e de suas famílias, como também, requer expressivos recursos econômicos no tratamento de suas conseqüências. Quantos anos de vida as quedas roubam da população? As fraturas da bacia reduzem a esperança de vida em 1,8 anos; numa população em que a esperança de vida é de perto de sete anos, isso equivale a perder 25% da vida que os pacientes ainda têm.  A identificação dos fatores associados a quedas em idosos pode contribuir para elucidação de fenômenos causais, possibilitando o desenvolvimento de medidas preventivas precoces, tanto de forma individuais quanto relacionadas à população geral dos idosos. (7)

A probabilidade de admissão de uma pessoa idosa em uma instituição asilar aumenta de acordo com o número de quedas. As maiorias das quedas ocorrem em casa, mas freqüência de quedas é maior em instituições de cuidados por um período prolongado. Os idosos residentes em instituições de longa permanência como casas de repouso, clínicas e hospitais apresentam três vezes mais chances de cair em relação aos que residem na comunidade.

Sensibilidade a drogas é outro fator. O uso de múltiplas medicações, especialmente de drogas psicoativas como antidepressivos, neurolépticos ou benzodiazepínicos aumenta as chances de queda.

Poucas quedas parecem estar diretamente relacionadas à síncope, ataque isquêmico transitório ou doenças musculares. Propensão a quedas é gerada, isto sim, pelos distúrbios cumulativos de declínio cognitivo, visão e equilíbrio deficiente e fraqueza muscular generalizada.

A doença de Parkinson ou um acidente vascular cerebral prévio assim como a artrite e a hipotensão postural também são causas comuns de quedas.

 

Causas intrínsecas

São causas decorrentes de alterações fisiológicas relacionadas com o envelhecimento, doenças ou uso de fármacos.

 

Idade:

 

Segundo Chu et al. (2007), que exploraram a relação entre queda e fatores associados à sua ocorrência, o fator idade apresentou significância estatística demonstrando clara relação com a queda, sendo que  os indivíduos mais velhos caíram mais vezes. Maciel e Guerra (2005) também encontraram associação entre a presença de déficit de equilíbrio e a idade superior a 75 anos.

 

Equilíbrio:

 

A capacidade de manter o equilíbrio torna-se diminuída com o envelhecimento, o que pode ser resultado das mudanças inerentes ao processo. Todos os indivíduos na faixa etária de 70 anos devem ser interrogados em relação a quedas, estado de equilíbrio e dificuldades da marcha. Eles devem ser observados levantando-se de uma cadeira e andando e quanto a instabilidade. A queda pode ser o primeiro indicador de falha dos sistemas nervoso e músculo-esquelético, o que pode representar processo de deterioração física.

O idoso, frente aos obstáculos, não levanta os pés o suficiente durante a marcha, pois há limitação da amplitude de movimentos dos pés e diminuição da força muscular, aumentando a probabilidade de tropeçar e cair. O nível de independência funcional e autonomia são, atualmente, considerados como os reais indicadores das condições de saúde do idoso.

A instabilidade postural, caracterizada pela perceptível dificuldade de equilíbrio do idoso, reveste-se de especial importância por estar diretamente relacionada ao surgimento de quedas e ao potencial de causar dependência, seja por seqüelas físicas ou por prejuízo emocional. O medo de queda constitui um fator altamente limitante à independência funcional do idoso.

 

Visão:

 

          O declínio da acuidade visual também é uma das causas comuns de quedas.

A visão pode ser importante para manter a estabilidade na posição ereta e para compensar outros riscos de queda.

 

Tontura crônica:

 

Os portadores de tontura crônica apresentaram mais associação com sintoma de ocorrência de quedas, a não compreensão dos riscos, sintomas depressivos e isolamento social, segundo Tinetti ET AL. Em pacientes idosos sem doença neurológica franca o comprometimento da função vestibular é um fator importante de quedas.

A incapacidade de fazer rápidos reajustes posturais, que é um produto do envelhecimento apenas, responde pela ocorrência de quedas no decorrer de atividades comuns, como deambulação, mudança de posição ou descer escadas.  Deve-se evitar chocolate, café, chá mate e preto e refrigerantes em excesso. Esses alimentos podem causar tontura e precipitar quedas.

 

Outras doenças:

 

Doenças neurológicas como AVC, demências, Parkinson, hidrocefalia com pressão normal, paralisia supranuclear progressiva e convulsões. Doenças cardíacas como arritmias e hipotensão ortostática. Doenças gastrointestinais como sangramento e diarréia. Doenças metabólicas (hipotireoidismo, hipoglicemia, anemia, desidratação). Doenças Músculo esquelética como artrite, reumatológicas e doenças ortopédicas. (2)

Uso de fármacos:

 

O uso de calmantes e sedativos é considerado importantes fatores de risco relacionados a quedas em idosos.

Guimarães e Farinatti (2005) encontraram associação entre o uso de medicações psicoativas e risco de quedas em mulheres idosas. Medicamentos anti-parkinsonianos, anti-hipertensivos e diuréticos podem causar queda abrupta dos níveis de pressão arterial levando a quedas.

É importante lembrar que o idoso muitas vezes faz uso de várias medicações o que o predispõe a interações medicamentosas sérias.

 

Depressão:

 

Deve-se destacar ainda a relação entre depressão e queda, podendo relacionar-se à perda precoce da independência funcional, debilidade física, redução da velocidade da marcha, perda de força muscular por imobilidade e letargia, comuns à depressão.

Fatores psicológicos como não aceitar o declínio das suas capacidades sensoriais e motoras. Caso os idosos encarem as quedas como uma conseqüência normal do envelhecimento, expressa pelo conceito de que “os idosos sempre caem”, sua atitude pode inibir medidas preventivas. (16)

O isolamento e a depressão desencadeados pela falta de participação social aumentam os riscos de quedas. Um grande número de quedas acontece quando há um período de stress emocional transitório. Como resultado, os pacientes se tornam raivosos, ansiosos, desorientados ou deprimidos, e menos atentos aos perigos ambientais. Pessoas idosas com depressão freqüentemente se tornam confusas e desorientadas e com falta de percepção do ambiente. (16)  

As alterações da memória observadas freqüentemente nos indivíduos idosos, a depressão e a ansiedade, ligada ao medo de cair podem aumentar o risco de quedas por meio de uma ação direta sobre o controle postural, assim como pela desorientação viso-espacial e pelos distúrbios do comportamento associados. As doenças afetivas e a ansiedade, alterando o controle postural, podem reduzir a capacidade do idoso para identificar os perigos no seu ambiente diário e levar a quedas (PAPALÉO NETTO, 2005).

 

 Causas Extrínsecas:

 

A maioria das quedas em pessoas idosas é acidental. Existe crescente apreciação de que a natureza e a estrutura do ambiente físico podem influenciar significativamente a probabilidade de uma pessoa especialmente um idoso sofrer uma queda ou uma lesão relacionada. Há necessidade de assegurar que os ambientes freqüentados pelos idosos sejam amigáveis a eles, porque isso pode significar a diferença entre independência e dependência.

 

Quarto:

 

No ambiente hospitalar, o local mais comum de quedas é o quarto do paciente. A maioria delas acontece à beira do leito, quando o paciente está se deitando ou se levantando. Também devem ser evitadas cama alta ou cama muito longe do banheiro.

 

Banheiro:

 

O banheiro é um local de risco devido os pacientes entrarem ou saírem sozinhos com pressa de chegarem ao vaso sanitário ou escorregarem no chão molhado e outros motivos como:

- Falta de barras de apoio

- Assentos sanitários baixos

 

Transferência do idoso no ambiente hospitalar:

 

Técnicas ruins de transporte e transferência do idoso no ambiente hospitalar também são causas comuns de quedas:

- Superfície do solo como assoalhos escorregadios.

- Tapetes soltos.

- Iluminação insuficiente.

- Falta de macas.

- Pessoal sem treinamento adequado em transferência de pacientes.

 

Escadas:

 

- Falta de corrimão.

 

Pessoal:

 

- Roupas desajustada.

- Sapatos inapropriados.

 

 Identificando as principais lesões e conseqüências causadas por quedas.

 

Principais lesões:

 

A localização corpórea da fratura segue os padrões da literatura, em geral, sendo as mais comuns na extremidade proximal do fêmur seguido pelo terço distal do rádio. (5) Outros locais freqüentes de fraturas são os ombros, vértebras, patela e tornozelo.

A fratura de quadril por conseqüência de queda faz com que se prolongue a duração da internação, em quase o dobro do que todas as outras causas de internação hospitalar do idoso.

As cirurgias ortopédicas de grande porte são acompanhadas de consideráveis taxas de complicações graves. Em torno de 20% dos pacientes idosos que fraturaram o quadril morrem no prazo de um ano, geralmente relacionadas a complicações pelo imobilismo.

Pode ser comprometido também o aparelho cardiovascular, respiratório, endócrino, gastrointestinal, urinário, muscular, esquelético e neurológico. Estas complicações podem ser aumentadas dependendo dos fatores pré existentes de cada paciente.

A ocorrência de fraturas em idosos está relacionada à maior fragilidade óssea decorrente da osteoporose e a uma maior tendência a quedas que estes indivíduos costumam apresentar. (7)

 

Principais conseqüências:

 

As conseqüências podem ser mensuradas pelo aumento do tempo de internação, aumento do custo de tratamento, o desconforto ao pacientes e possíveis aborrecimentos por processos na área civil e criminal, tanto contra o hospital quanto ao de responsabilidade profissional.

É importante ressaltar que muitos idosos, após uma queda, mesmo aqueles que não sofreram grandes danos, começam a ter sua mobilidade diminuída pelo medo de nova queda, passando então a apresentar outros problemas sérios em função desse comportamento.

São evidentes as conseqüências relacionadas ao aspecto psicológico, à inatividade, as seqüelas e os problemas de ordem financeira que acarretará ao idoso.

O impacto econômico das quedas é crítico para a família, a comunidade e a sociedade. Os custos diretos abrangem os custos de saúde tais como medicamentos e serviços adequados, como, por exemplo, consultas médicas, tratamento e reabilitação. Os custos indiretos são as perdas da produtividade na sociedade relacionadas às atividades nas quais os indivíduos ou os cuidadores estariam envolvidos caso não tivessem de cuidar de lesões causadas pelas quedas, por exemplo, a perda de rendimentos. ”(16)

 

Custos financeiros.

 

Estima-se que o custo direto e indireto relacionado a quedas nos EUA represente cerca de 75 bilhões a 100 bilhões de dólares a cada ano (URTON, 1991). Idosos hospitalizados por fratura devida a quedas têm uma estatística pesada: requerem tantos cuidados que somente metade consegue voltar para casa. Os demais – nos países desenvolvidos – são obrigados a ficar permanentemente em clínicas especializadas a um custo altíssimo.

Considerando todas as fraturas da bacia, os gastos nos Estados Unidos superaram 20 bilhões de dólares em 1997 (certamente muito menos do que hoje) é mais do que o PIB da Bolívia ou o do Paraguai.

Definindo medidas preventivas

Pequenas medidas preventivas que não são caras podem mudar a vida do idoso, na verdade, muitas são banais e intuitivas. O problema reside em sua divulgação e implementação. O preço não termina aí: essas lesões representam um encargo pesado para a sociedade: há muito sofrimento e as perdas são onerosas. Para o sistema de saúde, os custos são muito altos.

 

Muitas lesões decorrentes de quedas podem ser prevenidas. Existe, agora, grande evidencia de que os fatores de risco de quedas podem ser influenciados pela implantação de estratégias de intervenção dirigida, destinadas a modificar os diversos determinantes intrínsecos e extrínsecos que sabidamente aumentam a probabilidade da ocorrência de quedas.

Identificados os fatores de risco de o ambiente hospitalar já descritos anteriormente devem se tomar medidas preventivas onde serão incluídas capacitação dos profissionais e cuidadores, identificando os fatores intrínsecos e extrínsecos que aumentam a possibilidade da ocorrência de quedas.

 

Removendo os obstáculos mecânicos:

 

- Certificar se que o piso está realmente seco;

- Diminuir o número de obstáculos no chão das salas;

- Usar cores contratantes entre parede e piso;

- Instalar luzes noturnas nas paredes, sobretudo para iluminar o caminho; entre o quarto e o banheiro.

- Ajustar a altura das latrinas ao tamanho e flexibilidade do idoso ;

- Instalar mais tomadas para evitar o uso de cabos de extensão.

- Realocar os interruptores, dando prioridade às lâmpadas fluorescentes para                      que não necessitem andar na escuridão.

- Na cozinha e banheiro instalar barras de segurança/apoio.

- Usar tapete antiderrapante no chão do banheiro.

- Uso de cuecas e calcinhas acolchoadas e outras.

- Assoalhos escorregadios e incorreções do piso.

- Revestir os degraus e aplicar faixas de material rugoso antiderrapante.

- Devem-se colocar barras de apoio nos banheiros.

- Quadros e desenhos nas paredes devem ser removidos, pois podem distrair e favorecer as quedas.

- Evitar uso de calçados não apropriados Andar de meias, sem sapatos ou usar chinelos com solas escorregadias também contribuem para quedas (2).

Essas medidas (e muitas outras) reduzem as quedas, as fraturas e as mortes.

Como os medicamentos também representam um grande fator de risco para quedas, torna-se importante uma abordagem especial.

A queda de idosos são muitas vezes induzidas por diagnósticos e tratamentos incorretos.(16)

A interação medicamentosa modifica o efeito desejado podendo potencializar a ação de uma droga e diminuindo a ação de outra.

Devem-se ponderar os riscos e benefícios no uso de medicamentos em idosos. Ao prescrever novos medicamentos para seus pacientes idosos, os profissionais de saúde devem verificar cuidadosamente quais outros medicamentos estão prescritos, incluindo os de automedicação. (16)

Observar os pés dos idosos, pois joanetes, calos, esporões e outras condições são fatores de risco a serem considerados. (2) A ingestão adequada de líquidos, assim como a ingestão suficiente de calorias na alimentação previne estados que levam a uma queda súbita da pressão arterial favorecendo acidentes por desidratação e/ou hipoglicemia.

Deve-se ficar atento aos idosos com tonturas e zumbidos. Orientá-los a não se levantar da cama subitamente, pois se pode causar uma queda brusca da pressão arterial. O uso de artefatos como bengalas, andadores, óculos e adoção de um programa de atividade física com vistas a fortalecer a musculatura e a correção da postura são medidas positivas e de alta valia na qualidade de vida de todos os idosos.

Deve-se evitar a imobilização desnecessária e suas conseqüências. Melhorar a capacidade do indivíduo para resistir às ameaças ao seu equilíbrio. Isto se faz instituindo uma fisioterapia motora preventiva onde se trabalhará a autoconfiança do idoso. Atualmente, é praticamente consenso entre os profissionais de saúde que o exercício físico é um fator determinante como forma de prevenção em quedas e reabilitação, fortalecendo a aptidão física melhorando sua autonomia.

Os benefícios proporcionados pela prática de exercícios físicos pelas pessoas idosas, pós-quedas, têm sido estudados pela comunidade científica, destacando que atuam na melhora da capacidade funcional, equilíbrio, força, coordenação e velocidade de movimento, contribuindo para uma maior segurança e prevenção de quedas entre as pessoas idosas.

O American College of Sports Medicine afirma que, atualmente, está comprovado que quanto mais ativa a pessoa idosa, menos limitações físicas ela tem. Análise entre o nível de atividade física e a incidência de quedas com as condições de saúde dos idosos, constatou-se a importância de manter um alto nível da atividade física a fim de minimizar a incidência de quedas e melhorar a saúde geral.

Como a fraqueza muscular, inflexibilidade e dificuldades de controle motor contribuem para as quedas, um alto nível de atividade física é uma estratégia eficaz para preveni-las: aumenta a força muscular, a flexibilidade e o controle motor.

Mesmo com poucas sessões de atividade física já se nota melhora no desempenho de idosos principalmente no equilíbrio, força e flexibilidade, sugerindo que um programa de prevenção baseado em exercícios regulares pode ser eficiente para os idosos na prevenção de quedas.

O idoso necessita se sentir  independente,ter uma ocupação, carinho e interação social. Atividade física ajuda para que o idoso tenha uma vida independente e uma melhor condição de saúde.

É de vital importância o acompanhamento e controle das doenças, a adaptação ambiental, a realização de exercícios físicos para fortalecer os músculos, o equilíbrio e a mobilidade e a correção de problemas visuais. Conclui-se que, devido ao caráter multifatorial das quedas, a intervenção preventiva também deve ser multidimensional, envolvendo profissionais habilitados que possam interferir na exposição tanto dos fatores intrínsecos quanto aos extrínsecos. (7) O uso de contenção física ou farmacêutica que é freqüentemente usado com a intenção de reduzir quedas não se mostra eficaz. Ao contrário, existem algumas poucas evidencias que mostram um maior risco de queda com o uso de equipamentos ou medicamentos de restrição. (5)

O grande objetivo para prevenir quedas acidentais é manter o idoso o mais independente e ativo possível (1). MARIN, H. F.et al.(2010) descreveram um estudo realizado na Clínica da Harvard Medical School, em Boston, Estados Unidos onde foi avaliado um sistema computadorizado de avaliação do paciente no desenvolvimento de um sistema de alerta para prevenir quedas de pacientes hospitalizados.

O objetivo do estudo foi identificar variáveis que pudessem identificar quais pacientes seriam mais vulneráveis a quedas durante internação hospitalar. O sistema computacional foi desenvolvido pelo Departamento de Enfermagem e Centro de Computação clínica da Harvard Medical School, em Boston, USA (SAFRAN ET AL. 1989).

Analisando todas as variáveis que podem predizer as chances de um paciente com risco maior para queda além da idade foram também acrescentadas no instrumento de avaliação de Enfermagem as seguintes: sexo, estado mental do paciente, capacidade em andar, capacidade de transferir-se de um local para o outro, ir ao toalete e realizar higiene pessoal e a capacidade de cuidar de si mesmo após receber alta hospitalar. Outros trabalhos indicam maior tendência de quedas em mulheres, porém a queda em homens são mais graves.

No momento da internação hospitalar, uma das questões presente diz respeito ao estado mental do paciente. 81,48% dos pacientes que sofreram quedas não estavam incluídos na categoria “alerta e/ou orientado”. ROGERS (1994).

HALPERT&CONNORS (1986) em um estudo com 181 pacientes com história de quedas, observaram que 124 estavam alertas e/ou orientados. Porém, destes, 61 (49%) caíram da cama, 22 (18%) caíram enquanto deambulavam, 31 (25%) caíram no caminho para o banheiro e 10% caíram da cadeira.

Fácil supor que se o paciente é dependente e/ou precisa de assistência para realizar qualquer uma das atividades descritas acima, terá maior chance de sofrer quedas.

Uma vez identificadas estas variáveis, seria fornecido um sinal de alerta pelo sistema computacional orientando o profissional quando um determinado paciente apresentaria uma chance maior para quedas durante sua internação.

Este sistema de alerta é uma mensagem emitida pelo computador que aparece quando o profissional de saúde olha para o registro médico “on-line”. (SAFRAN ET al. 1996). Com isso, espera-se contribuir para que medidas preventivas sejam tomadas em tempo hábil. (MARIN, H.F. et al).

“Nos últimos cem anos, a pesquisa clínica e a prática médica se basearam em consultas, exames e perguntas aos pacientes – pequenas biopsias de tempo na vida de uma pessoa”, disse Jeffrey Kaye, professor de neurologia e engenharia biomédica da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon.
“Mas a tecnologia agora nos dá a capacidade de obter dados da atividade comportamental o tempo todo, para um quadro muito mais detalhado, do mundo real, sobre o que está acontecendo com a saúde de uma pessoa.”
O Instituto do Envelhecimento dos EUA está patrocinando algumas pesquisas iniciais. Richard Suzman, diretor de pesquisas comportamentais e sociais do instituto, disse que os estudos sobre os padrões de atividade dos idosos, inclusive sobre a detecção precoce de riscos, vão “cada vez mais usar sensores para fornecer esses dados de mais alta fidelidade”. “É extremamente promissor”, acrescentou.
Aumentar o conhecimento e a habilidade por parte dos profissionais de saúde em lidar com as quedas em idosos pode reduzir os riscos e as conseqüências. Os profissionais de saúde, por exemplo, são recomendados a ensinar os pacientes em risco de quedas como se levantar; infelizmente, a experiência clínica demonstra que isso quase nunca é feito. (16)

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

É necessário que se aumente a conscientização referente à importância das quedas em todos os setores da sociedade que são impactados por esses eventos e pelas lesões dele decorrentes. Aumento de conscientização não se restringe à educação de indivíduos ou grupos sobre a importância das quedas como fatores de risco que podem ser modificados causadores de condições de incapacidade e de aumento de mortalidade. Envolve também a educação sobre os crescentes custos econômicos e sociais associados à falta de atenção para as quedas e para as lesões decorrentes de maneira sistemática.

Qualquer estratégia destinada à conscientização sobre a importância das quedas e de sua prevenção deve começar com os próprios idosos. Muitos deles não têm a percepção de que as quedas podem ser evitáveis. Em muitas culturas, as quedas são consideradas uma conseqüência normal e inevitável do envelhecimento.

Num estudo, 46%dos indivíduos que sofreram quedas eram repetentes. A primeira queda ocasionou perda da mobilidade e perda da confiança, tornando a queda seguinte mais provável.

Algumas intervenções foram validadas experimentalmente para a prevenção de quedas, incluindo avaliação multidisciplinar de saúde e do ambiente para corrigir fatores de risco das quedas, fortalecimento dos músculos e treinamento do equilíbrio em casa prescritos por um profissional de saúde, avaliação do risco familiar em pessoas com história de quedas, retirada de medicações psicotrópicas, marca passo cardíaco para indivíduos propensos a quedas com sensibilidade cardioinibitória do seio carotídeo e tai chi administrado em 15 semanas como intervenção de exercício em grupo.

Faz-se necessário identificar os pacientes mais susceptíveis a quedas durante uma internação hospitalar identificando os principais fatores de risco e suas consequências.

Além de aumentar o tempo de internação hospitalar, aumentando assim o risco de infecções, fenômenos tromboembólicos e risco de morte aumentada, devem-se levar em consideração os custos hospitalares, o desconforto aos pacientes e familiares e os riscos de responsabilidade civil e criminal para o hospital e profissionais envolvidos no tratamento do paciente.

Primeiro precisa-se identificar quais indivíduos tem maior risco de quedas.

Não há evidencias que embasem a efetividade de intervenções multifatoriais em ambientes de cuidados de emergência. O uso de contenção física ou farmacêutica que é freqüentemente usado com a intenção de reduzir quedas não se mostra eficaz.

Ao contrário, existem algumas poucas evidencias que mostram um maior risco de queda com o uso de equipamentos ou medicamentos de restrição. Alternativas a esta prática (camas mais baixas, superfícies antiderrapantes nos pisos, treinamento e exercício de transferências seguras de pacientes) tem mostrado moderadas evidencias de eficácia.

A adoção de mecanismos de alerta ainda é um grande desafio para instituições de saúde. A maioria dos hospitais adota o sistema de pulseiras onde os pacientes no momento de sua admissão são avaliados pela enfermagem baseados nos fatores de risco descritos acima e classificados como potenciais candidatos a quedas ou se vulneráveis.

Com a informatização dos prontuários que já é uma realidade em muitos hospitais públicos e privados, a adoção de um sistema de alerta eletrônico no nosso meio poderia oferecer aos profissionais de saúde um detalhamento maior, levando em conta não só a vulnerabilidade do idoso, mas medidas preventivas como a observação de interações medicamentosas, uso não adequado de medicamentos e a sugestão de acompanhamento de um familiar durante a internação.

Temos que difundir os conhecimentos sobre o processo de envelhecimento podendo assim criar condições para garantir uma terceira idade com mais qualidade. As pulseiras não perderiam seu espaço, mas logo estarão também informatizadas com chips, onde constarão todos os dados do paciente inseridos. Também está em estudo o uso de alarmes nas camas.

Para uma prevenção adequada de quedas em idosos é necessário identificar a população de risco aumentado e instituir intervenções padronizadas para múltiplos fatores de risco.

Enfim, a prevenção trará muitos benefícios para o idoso, seus familiares, a sociedade e a saúde pública, evitando graves consequências como a imobilidade, melhorando a qualidade de vida dos mesmos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

1 -Adams, RD, Principles of Neurology ;Santiago: Mc Graw-Hill, sexta edição (1998).

 

2 – AlzheimerMed,. Queda, (2010). URL WWW.alzheimermed.com.br. Último acesso: 02/11/2010.

3 – Chu et al. Incidence and predictors of falls in the Chinese elderly. Ann Acad Med Singapore. 2005; 34:60-72.

 

4 – Cunha UG.;Guimarães RM.Sinais e Sintomas do aparelho locomotor.In:Guimarães RM,Cunha UG.Sinais e sintomas em geriatria.Rio de Janeiro: Revinter; p.141-154,1989.

 

5 – Gai, J.; Gomes, L.; Nóbrega, O. T. e Rodrigues, M. P. (2010). Fatores associados a quedas em mulheres idosas residentes na comunidade. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 56, n. 3, p. 1-6.

 

6 – Guimarães,J. e Farinatti,P.Análise descritiva de variáveis teoricamente associados ao risco de quedas em mulheres idosa. Revista Brasileira de Medicina e Esporte. V. 11,n.5,2005.

 

7 – Halpert, A.; Connors, J.P. Prevention of patient falls through perceived control and other techniques. Law, Medicine & Health Care, v. 14, n. 1, p. 20-4, 1986.

 

8- Hamra, A.; Ribeiro,  M. B. e Miguel, O. F. (2007). Correlação entre fratura por queda em idosos e uso prévio de medicamentos. Revista Acta Ortopédica Brasileira, v. 15, n. 3, p. 143-145

 

9 – Maciel ACC, Guerra RO. Prevalência e fatores associados ao déficit de equilíbrio em idosos. Rev. Bras. Ciênc Mov. 2005;13:37-44

 

10 – Marin, H. F.; Bourie, P.; Safran, C. Desenvolvimento de um sistema de alerta para prevenção de quedas em pacientes hospitalizados. Rev.latino-am.enfermagem, Ribeirão Preto, v.8, n.3,p.27-32, julho 2000.

 

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