O efeito da epilepsia na vida do paciente, seus familiares e amigos

Há na literatura vários relatos na história mesmo antes de Cristo sobre prováveis crises epilépticas. Antes do conhecimento atual chegou a ser considerada como possessão demoníaca e outras vezes como manifestação dos Deuses. Apenas nos últimos 25 anos vêm sendo desenvolvidos esforços significativos contra séculos de desconhecimento e consequentes estigma e discriminação. Definida como a presença de pelo menos duas ou mais crises epilépticas nos últimos 12 meses, a epilepsia é a condição neurológica grave mais comum afetando aproximadamente 1 a 2% da população mundial. As crises epiléticas são o resultado de descargas neuronais excessivas. O primeiro passo é identificar os tipos de crises e os fatores que a provocaram. Algumas vezes não encontramos a causa dela. O tratamento adequado resulta no controle das crises em 70% das pessoas. Para isto, a epilepsia requer tratamento médico prolongado, algumas vezes por toda vida. Na epilepsia, a ocorrência de uma única crise convulsiva em um indivíduo com crises epiléticas controladas pode acarretar efeitos devastadores como acidentes automobilísticos, perda de emprego, lesões físicas e até mesmo, morte. Nesta condição, a adesão ao medicamento é fundamental. Entretanto, 20 a 82% dos pacientes com epilepsia podem não cumprir o tratamento.

Para minimizar o estigma associado à epilepsia, o paciente deve receber informação completa sobre seu quadro clínico como, por exemplo, o fato de que as crises são consequentes à atividade neuronal anormal somente. Todas as restrições sociais que o mesmo acarreta como, por exemplo, não dirigir veículos, dormir bem, a necessidade do uso contínuo e regular das drogas antiepilépticas e a conscientização desde o início da necessidade de tratamento prolongado. Tem que ter uma relação direita e de confiança com seu médico, para juntos decidirem o melhor horário para tomada da medicação e como lidar com os impedimentos diários visando minimizar o impacto em sua qualidade de vida.